Você está alimentando o monstro: #10yearchallenge

Nos últimos dias surgiu o novo meme nas redes sociais digitais: o #10yearchallenge. Basicamente a proposta é postar uma imagem única com uma foto de 10 anos atrás e, ao lado, outra atual. Obviamente aqui no Brasil a vitalização foi quase instantânea e as nossas timelines se resumem ao antes e depois de amigos, conhecidos e até mesmo de fotos com piadas bastante criativas. Até aí tudo ótimo! A questão a ser pensada é: nada é de graça nessa vida – “não existe almoço grátis!”. Conhecedores da área da tecnologia já argumentam que o desafio dos 10 anos é a oportunidade perfeita para o Facebook aprimorar seu algoritmo de reconhecimento facial, a discussão sobre o assunto já é recorrente: O #10yearchallenge é um lembrete de que estamos todos ferrados com a privacidade; ‘Desafio dos 10 anos’ pode ser uma grande jogada do Facebook: entenda, Facebook’s ’10 year challenge’ is just a harmless meme — right?, Onda #10YearChallenge treina reconhecimento facial do Facebook, diz revista

Aqui mesmo já falamos sobre o mechanical turk da amazon, utilizado para aprimorar ferramentas de aprendizado de máquina a partir de esforços humanos. Não seria o #10yearchallenge uma ocasião ideal para o Facebook utilizar – gratuitamente diga-se de passagem – as fotos postadas para melhorar o reconhecimento de imagem utilizado na plataforma? Se pensarmos bem, lançado em 2004, o Facebook explodiu a partir de meados de 2008. A timeline da rede, ao pensar na questão de cronologia e organização de fotos e álbuns, sempre foi um tanto (MUITO!) bagunçada. Junte essa desorganização com alguns anos para a popularização de compartilhamento de fotos digitais nas redes sociais e…? PRONTO! Estamos entregando de bandeja para os geniais engenheiros de software um banco de dados gigante, com fotos nossas de antes e depois, apresentando a evolução visual da nossa “espécie”.

Independente de quem tenha iniciado o desafio, Mark Zuckerberg certamente vai tirar proveito dessa situação. Cada vez mais eu me dou conta que nada é de graça nessa vida e o preço que pagamos para usar os “free softwares”, como Google, Instagram, Facebook, talvez seja o mais caro de todos, a informação – que ao meu ver, hoje, vale mais do que dinheiro.

Deixe uma resposta